segunda-feira, 8 de julho de 2013

A ARTE NO CICLO DO CAFÉ


painel

Mural sobre o Ciclo do Café criado pela artista plástica Yara Tupinambá 

ganha espaço permanente na capital

yara
O mural Da descoberta do Brasil ao ciclo mineiro do café  

– pintura sobre azulejos com 17m de extensão por 2,48m de altura feita por Yara Tupynambá em 1973 – é a nova atração da galeria de arte do Espaço Cultural Gustavo Capanema, que pertence à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Instalada inicialmente no restaurante da sede do Legislativo, a obra de arte, devido a reformas, acabou em gabinetes do segundo andar. Agora, ela ganha novo caráter: antes dividida em duas peças, apresenta única sequência narrativa.

A recuperação e restauração do mural é parte do projeto Memória do Legislativo mineiro. “Está se devolvendo ao público uma obra que conta a história de Minas Gerais”, afirma Yara Tupynambá. A coordenação geral do trabalho coube ao restaurador e conservador Luiz Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais. Os assistentes da pintora foram Geraldo Roberto Gonçalves, Maria Lúcia Marques e Olimpia Couto.

Foram necessários oito meses para a conclusão do projeto. A partir do diagnóstico sobre a obra e das paredes onde a pintura estava instalada, providenciaram-se a desmontagem e a remontagem da peça, limpeza e recuperação de azulejos trincados.

O mural está fixado sobre grade de alumínio em formato de colmeia. Essa opção se deu visando a fatores como resistência estrutural, reversibilidade das ações, leveza e segurança. O trabalho contou com a participação de técnicos do Recife especializados em azulejos.

A recuperação do painel, informa Luiz Souza, insere-se no processo de preservação do patrimônio, setor que precisa de mais atenção no país. “O desenvolvimento econômico do Brasil tem trazido pressões sobre o patrimônio. É preciso conciliar os dois elementos. A ação da Assembleia deixa esta mensagem a prefeitos e vereadores: é fundamental preservar o patrimônio. Temos mão de obra capacitada para a tarefa, mas ela só avança quando há vontade política”, defende o restaurador.

O deputado Diniz Pinheiro, presidente da Assembleia Legislativa, explicou que o cuidado com a memória é parte do planejamento estratégico da casa. Ele prometeu para o fim do ano a abertura do Memorial do Legislativo.

“Sou dedicada à história de Minas”, afirma a pintora Yara Tupynambá. Seu mural alude à ocupação do território mineiro, descoberta do ouro, trabalho escravo, surgimento das cidades, à Inconfidência e seus poetas, além da economia do café.

PESQUISA
A obra é produto de pesquisa mesclada a considerações pessoais da artista. “Amo Tiradentes. Nunca fiz a imagem dele na forca ou enforcado, mas sempre como homem que quer mudar o mundo por meio das palavras”, explica Yara.

A história é tema recorrente na carreira da pintora. Algumas de suas obras são Desbravamento do São Francisco, Entradas e bandeiras, Inconfidência Mineira e História de Belo Horizonte, além de trabalhos dedicados aos ciclos econômicos do diamante, da siderurgia e da construção civil.
“Sou narradora de estórias e histórias. Toda civilização tem que guardar sua memória. Isso não se faz com quadros, mas com painéis”, conclui.

O Ciclo do Café
História, desenvolvimento, industrialização, exportação de café e conseqüências.

Ciclo do café - Foto: Memorial do Imigrante - Museu da Imigração 
Imigrantes italianos trabalhando na colheita do café 


Introdução O café chegou ao Brasil, na segunda década do século XVIII, através de Francisco de Melo Palheta. Estas primeiras mudas foram trazidas da Guiana Francesa. No século XIX, as plantações de café espalharam-se pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro. Os mercados nacionais e internacionais, principalmente Estados Unidos e Europa, aumentaram o consumo, favorecendo a exportação do produto brasileiro.
Com a queda nas exportações de algodão, açúcar e cacau, os fazendeiros sentiram a grande oportunidade de obterem altos lucros com o “ouro negro”. Passaram a investir mais e ampliaram os cafezais. Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o principal produto de exportação brasileiro, sendo também muito consumido no mercado interno. 

Os fazendeiros, principalmente paulistas, fizeram fortuna com o comércio do produto. As mansões da Avenida Paulista refletiam bem este sucesso. Boa parte dos lucros do café foi investido na indústria, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, favorecendo o desenvolvimento deste setor e a industrialização do Brasil. Muitos imigrantes europeus, principalmente italianos, chegaram para aumentar a mão-de-obra nos cafezais de São Paulo.

Conseqüências do Ciclo do Café - A economia brasileira ficou muito dependente das exportações de café. Quando o preço do produto caia, o governo brasileiro comprava estoques e queimava para aumentar o preço (política de valorização do café).
- Concentração do poder político e econômico na região Sudeste.
- Aumento do desenvolvimento industrial e urbano no Sudeste.
- Imigração europeia para as lavouras de café e indústrias do Sudeste.
- Construção de ferrovias para escoar a produção de café do interior de São Paulo para o porto de Santos.









 http://www.yaratupynamba.org.br/mural-sobre-o-ciclo-do-cafe-criado-pela-artista-plastica-yara-tupinamba-ganha-espaco-permanente-na-capital/MGTV: Painel de Yara Tupynambá

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