Imagine uma estátua no formato de um corpo humano. Imagine que ela é dotada de uma alma que nunca sentiu nada, nunca pensou nada.
Damos a ela um único sentido; o olfato, talvez o menos complexo dos cinco sentidos. Damos a ela um cheiro de jasmim e ali começará a biografia da estátua.
Por um instante, tudo no universo será aquele odor. No próximo momento, colocamos a fragrância de uma rosa e depois de um cravo.
Deixe que exista um único odor na consciência da estátua, e haverá atenção; deixe que a fragrância dure mais do que um momento e teremos a memória; deixe que uma impressão do presente e outra do passado ocupem a consciência, e teremos a comparação; deixe que a estátua perceba analogias e diferenças, e teremos julgamento; deixe que a comparação e o julgamento ocorram de novo, e teremos a reflexão; deixe que uma memória prazerosa seja mais vívida que uma não-prazerosa, e teremos a imaginação.
Quando as faculdades do Entendimento estão enraizadas, as faculdades da Vontade irão seguir; amor e ódio (atração e aversão), esperança e medo. A consciência de passar por diverentes estados dará à estátua a noção abstrata dos números; a consciência de ser o odor de cravo e ter sido o odor de jasmim dará a ela a idéia do Eu.
Pablo Picasso
Li
Fonte:
http://tavernafimdomundo.com/2009/02/19/a-estatua-de-condillac/
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