domingo, 4 de agosto de 2013

AXL LESKOSCHEK EM SP e História da Gravura


 Marcello Grassmann -O gravurista - 10min.
 
Curso de Gravura Rogério Fernandes - 4min.
 
Gravura em Metal - básico - Pillar Santana - 7min.
 
História da Gravura - Água Forte - Luis Pereira - 6min.

Obras de Axl Leskoschek em SP

Gravuras ilustraram livros brasileiros em 1940

19/07/2013 | POR REDAÇÃO; FOTOS DIVULGAÇÃO

 Sem título, anos 1940, do livro Irmãos Karamazov (Foto: divulgação)
 

Abre neste fim de semana, na Caixa Cultural São Paulo, exposição de gravuras assinadas pelo austríaco Axl Leskoschek. Entitulada “Luzências - a Gravura de Axl Leskoschek”, a mostra expõe 100 obras produzidas pelo artista durante 1939 e 1948, período em que veio residir no Brasil, devido à guerra em que se encontrava a Europa.

Aqui, Leskoschek, nascido em 1889, usou sua habilidade de retratar a ação humana em miniaturas requintadas e detalhadas para ilustrar diversas obras literárias de peso. Suas gravuras agraciaram desde clássicos, como Os Lusíadas, Odisséia e edições brasileiras de obras de Dostoiévski, a livros nacionais de autores consagrados, a exemplo de Dois Dedos, de Graciliano Ramos e Uma Luz Pequenina, de Carlos Lacerda. Ocupou-se também na função de professor de xilogravura no curso de Desenho e Propaganda da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

O trabalho do austríaco, impressionante principalmente pela dramaticidade que inseria nos cortes de madeira que davam vida aos personagens, não demorou a ser reconhecido por aqui: ganhou sua primeira exposição individual em território brasileiro em 1946, na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Apresentou-se também no Ministério da Educação e Cultura, em 1948. Leskoschek, falecido em Viena na década de 1970, também pintou paisagens, naturezas-mortas e cenas do cotidiano fluminense.

Luzências - a Gravura de Axl Leskoschek
Local: Caixa Cultural São Paulo
Endereço: Praça da Sé, 111, Centro
Data: de 21 de julho a 22 de setembro

 

Sem título, anos 1940, do livro Os Demônios (Foto: divulgação)
 
 
Sem título, anos 1940, do livro Os Demônios (Foto: divulgação)
 

Sem título, anos 1940, do livro Dois Dedos (Foto: divulgação)
 
 
  Leskoschek, Axl (1889 - 1975)        

Biografia
Axl von Leskoschek (Graz, Áustria 1889 - Viena, Áustria 1975). Gravador, pintor, ilustrador, desenhista, professor, cenógrafo. Ingressa na Escola de Belas Artes de Graz e na Escola de Artes Gráficas de Viena, em 1919, e tem aulas com Hofbauer, Hermann Cossmann (1884 - 1966) e Schorotter. 

Nessa época participa dos grupos Sezession, em Graz e Viena, e Werkbund. Em 1921, apresenta aquarelas em sua primeira individual em Viena. Entre 1929 e 1932 cria cenários para teatro. Fugindo do nazismo, refugia-se na Suíça, onde inicia a série de xilogravuras Odysséia.

Em 1939, muda-se para o Rio de Janeiro e leciona xilogravura no curso de desenho de propaganda e de artes gráficas da Fundação Getúlio Vargas - FGV, entre seus alunos estão Fayga Ostrower (1920 - 2001), Renina Katz (1926), Ivan Serpa (1923 - 1973) e Edith Behring (1916 - 1996), e também dá aulas de gravura em seu ateliê, no bairro da Glória. 

O artista, além de realizar xilogravuras, pinta paisagens, naturezas-mortas e cenas do cotidiano carioca e fluminense. Ilustra vários livros, a maioria publicada pela Livraria Editora José Olympio, como O Romanceiro do Brasil, de Ulrich Bechers, Dois Dedos, de Graciliano Ramos (1892 - 1953), Uma Luz Pequenina, de Carlos Lacerda, e as traduções brasileiras de Fédor Dostoïevski (1821 - 1881). Retorna à Áustria em 1949, e reside em Viena, onde ilustra revistas e livro.
Atualizado em 18/06/2010
 
    





Leskoschek, Axl
Sem Título , dia e mês desconhecidos 1947 - 1948
xilogravura
15 x 10,9 cm [mancha] / 32,5 x 23,5 cm [papel]
Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro, RJ)
   
  Leskoschek, Axl (1889 - 1975)        

Comentário Crítico
A produção brasileira de Axl Leskoschek inclui aquarelas, óleos, gravuras em linóleo, água-forte e, principalmente, xilogravuras. O artista prefere realizar trabalhos em pequenos formatos, elaborados com grande precisão técnica, nos quais apresenta grande riqueza de detalhes. Nessas obras, representa cenas da vida urbana e suburbana do Rio de Janeiro.

Leskoschek ilustra diversas publicações, entre as quais se destaca a série de 60 diminutas xilogravuras para O Romanceiro do Brasil, de Ulrich Bechers. Como aponta o pesquisador José Neisten, nas ilustrações que faz para a tradução brasileira das obras de Fédor Dostoïevski (1821 - 1881), lançada pela Livraria Editora José Olympio, o artista surpreende pela adequação formal e psicológica à verdade humana e literária dos personagens criados pelo escritor. Para a crítica de arte Radha Abramo, a atenção com à minúcia leva o artista, em suas xilogravuras, a reconstituir os cenários de época, com riqueza de texturas e jogos de luz.

O artista desenvolve importante atividade docente, sendo professor do curso de desenho, propaganda e artes gráficas criado pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, e ministrando aulas de gravura em seu ateliê. É responsável pela formação de diversos artistas, entre eles, Fayga Ostrower (1920 - 2001), Renina Katz (1926), Misabel Pedrosa (1927), Rachel Strosberg (1927), Danúbio Gonçalves (1925), Décio Vieira (1922 - 1988), Ivan Serpa (1923 - 1973), Teresa Nicolao (1928), Edith Behring (1916 - 1996).
 
    





Leskoschek, Axl
Sem Título , dia e mês desconhecidos 1946
xilogravura
16,2 x 9,7 cm [mancha] / 20,8 x 13,9 cm [passe-partout]
Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro, RJ)
 
    





Leskoschek, Axl
Os Demônios , 1962
xilogravura
16,1 x 9,6 cm [mancha]
Coleção Particular
 
LEIA MAIS

 Fontes:
 http://casavogue.globo.com/MostrasExpos/noticia/2013/07/
exposicao-axl-leskoschek-sp-caixa-cultural.html
 http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?
fuseaction=artistas_obras&cd_verbete=1207&cd_idioma=28555
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17 MANEIRAS DE REZAR - com Vivaldi e Beethoven


As Quatro Estações, de Vivaldi - 48min.


Espiritualidade
17 maneiras de rezar
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1. Caminhar
Caminhar ao longo de todo o comprimento
numa igreja românica, bela, bastante grande
Saint Philibert de Tournus, por exemplo,
ou numa igreja gótica,
Chartres, Reims, Bourges
ou barroca, como Wieskirche,
numa capela...
e não pensar em nada,
absolutamente nada,
deixar vaguear o olhar
deixar cantar a pedra,
deixar que o lugar fale,
e partir, algum tempo depois e sem nenhuma pressa.


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2. Ler um livro
Ler um livro de pensamento exigente
com um forte desejo da verdade
sem avidez em saber
sem pretensão de disputar
mas por gosto, por amor da verdade.
Abrir a porta profunda
a todo o pensamento que emerge
e deixá-lo permanecer em paz
de modo que ele venha a dar o seu fruto.


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3. Abrir a Sagrada Escritura
Abrir a Sagrada Escritura
abrir o Livro somente
e partir em devaneio
imaginar o seu próprio livro
contar histórias a si mesmo
remexer nos seus velhos mitos
de crueldade, de triunfo, de sensualidade, de desespero,
de amor, de caridade, com o normal narcisismo dessas coisas
e ler, no texto, duas palavras.


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4. Exprimir um pedido do Pai Nosso
Exprimir um pedido do Pai Nosso
só um, uma só vez.
 E praticá-lo confiante a cada passo...

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5. Angustiar-se profundamente por não rezar
Angustiar-se profundamente por não rezar
gemer interiormente todo o dia por ser incapaz
da mais pequena invocação
da mais pequena leitura
mesmo do Evangelho
de se sentir frio, seco, ausente
e feliz num outro lugar
sem Deus, sem Cristo, sem tudo isso
e sofrer justamente por isso
e finalmente decidir entregar-se assim a Deus
e esperar, sem qualquer pensamento.


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6. Dormir
Dormir  e deixar o coração de vigia.
e voar confiante ao mundo gerador dos sonhos, 
lá onde são vívidos cada gesto, ação, pensamento
de tudo que existe debaixo do Sol.
E...adentrar o mistério da razão do trabalho
do ardente viver na superfície...


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7. Como uma criança, dizer coisas a Deus
Como uma criança, dizer coisas  a Deus
oração,  súplica, raiva ou ternura
pesar ou júbilo
isso escapa
nem nos apercebemos  disso
senão mais tarde, algumas vezes.
Aquele que assim fala em nós é a criança
sempre na aurora da vida
ingénua como a vontade divina.


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8. Conversar disto e daquilo

Conversar disto e daquilo
e de repente
sem Deus ou sem eu o prever
acontece que nos pomos a falar do essencial
da vida, da morte, do futuro da humanidade
do amor, da verdade
talvez de Deus ou talvez não,
da religião cristã, dos grandes caminhos do homem.
Alargamos a conversa a outros, sem ódio,
sem controvérsia, sem baixa paixão, mas porque isso importa mais [que tudo o resto
e porque falamos disso tão poucas vezes
na conversa aquele que em Jesus Cristo
deixa passar algo do Anúncio
não porque se crê obrigado
mas porque ele é como é, ele está nele,
a sua palavra transporta a Palavra
e pode acontecer que alguém escute
pois o fundo do coração está aberto.


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9. Abrir a Sagrada Escritura
Abrir a Sagrada Escritura
e aí está!
Não é um livro, não é o Livro,
é o lugar da Palavra que se estende para além das palavras
sonho sem sonho à margem do texto
ressonância através de todas as espessuras  da vida
fonte cuja nascente é invisível,
pensamentos, imagens, palavras
movimentos sóbrios do coração
a Letra é necessária
o espírito vai
porque o sentido da Escritura é a vida salva.


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10. Desejar, desejar desesperadamente
Desejar, desejar desesperadamente
desejar até à dor e à angústia
até ao grande vazio amargo
desejar que seja de outro jeito
desejar o fim das crueldades
das loucuras, da estupidez, do abjecto,
desejar  a satisfação, a luz, a ternura
ter muita fome, ter muita sede
do mundo diferente
e de si-mesmo diferente.


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11. Escrever
Escrever
por prazer, por gosto, para ver
escrever para escutar o que o barulho comum encobre ou confunde
incluindo o barulho das palavras
Lavar as palavras até que elas fiquem
completamente puras e redondas e lisas
ou então ir pelos caminhos abundantes
ou então refazer, refazer indefinidamente
para abordar um pouco mais o que falta e insistir
escrever para chegar àquele ponto
que comunica com o que está para além e aquém de toda a palavra.


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12. Ouvir música
Ouvir música
A Missa em Si menor de Bach, por exemplo,
especialmente Incarnatus, Crucifixus, Resurrexit
ou então outra coisa
não necessariamente música religiosa
mas escutar na profundidade
escutar o canto do novo Orfeu presente
em toda a música humana
incarnação, crucifixão, jubilação
Se pudermos cantar nós mesmos e tocar um instrumento,
é ainda melhor!


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13. Permanecer em paz
Permanecer em paz
que é a harmonia dos poderes
para lá (certamente) do turbilhão
para lá da abstenção serena
para lá do abandono voluntário dos heróis
na harmonia dos poderes
coincidindo com a mais humilde humildade
isto, na mediocridade dos dias
sem altivez, sem saber e algumas vezes sem graça.


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14. Sair da igreja
Sair da igreja
deixar a celebração
porque não se aguenta mais
porque não podemos continuar
por causa do excesso de intensidade e de sobranceria
do que é considerado dever aí ser feito
em contraste com o desaire aflitivo do que de facto se passa
deixar sem escândalo, sem contestação, com tristeza
e o desejo resistente que de novo se eleve
como? como?
a luz do grande poema onde se inauguram todas as coisas.


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15. Duvidar, duvidar de Deus intensamente
Duvidar, duvidar de Deus intensamente
o quê, haverá um Deus bom e todo poderoso
com toda esta crueldade na natureza
com a infernal crueldade humana
as crianças morrendo de fome, os explorados,
os nevróticos, os embrutecidos, os alcoólicos, todos os [resíduos humanos?
É bela, a imagem de Deus!
E o que é Deus
senão pobre pequena ideia elaborada
no planeta em que somos
nada, no seio do universo brilhando
para dimensões inimagináveis
Objecções, objecções, agonia de Deus
no coração do homem de fé.
Ele respondeu cem vezes, mas trata-se de ausência
Pobre Deus em agonia
como o Verbo idêntico a Si no jardim das oliveiras
enquanto os seus melhores amigos dormiam…
Não é realmente nada pouco vigiar. Na sua agonia.


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16. Nem as imagens nem o texto
Nem as imagens, nem o texto,
nem o lugar, nem a hora
nem a palavra que brota do coração
nem a repetição aborrecida e atenta
nem mesmo o silêncio
mas simplesmente o real
terrivelmente real e chão, as coisas, a superfície
a conversação sem finalidade
as tarefas, os lazeres,
comer, sonhar, dormir
e o sofrimento intolerável, indizível
de tal modo sofredor que nem sofremos
a espera nua do que deve vir ao mundo
para que a terra seja como o céu.


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17. Trabalhar com as próprias mãos
Trabalhar com as próprias mãos
em tarefas caseiras, na costura,
no seu ofício, na bricolagem
e fechar o rádio e todo o zunzum interior
escutar o que fala sem palavras
enquanto as mãos se ocupam
e ocupam a superfície da alma.
Ou então, conduzir um automóvel
muito distendido, atento, delicado
uma vez que essa ocupação deixa livre
um pensamento sem pensamento
que amadurece algures.

Maurice Bellet

 

In Cahiers pour croire aujourd'hui, Novembro 1993)

Trad.: MLPV/JTM
Imagens: Monet (1, 6, 8, 14, 17); José Malhoa (2); Van Gogh (3, 9, 13); Renoir (4, 10); Adelsteen Normann (5); Silva Porto (7); Carlos Reis (11); Alfred Sisley (12); John Constable (15)
© SNPC | Actualizado em 12.07.12 


Beethoven
Sinfonia No 6   em fá maior- op 68 "Pastoral"- 44min.


Fonte:
http://www.snpcultura.org/tvb_17_maneiras_de_rezar.html