Fórum Permanente
é uma Associação Cultural que opera como uma plataforma para a ação e
mediação cultural, nacional e internacionalmente, em diferentes níveis
do sistema de arte contemporânea. Sua estrutura é baseada em uma rede de
parcerias com diversos agentes atuantes nos campos das artes e da
cultura, instituições de arte e agências culturais estrangeiras.Em
operação desde 2003, as principais iniciativas do Fórum Permanente
incluem a curadoria de eventos discursivos e dialógicos, a organização
de oficinas sobre curadoria e outras formas de mediação crítica, a
coordenação de pesquisas, a organização de publicações especializadas, a
divulgação de eventos relacionados com arte contemporânea e
instituições de arte, streaming on-line das atividades e publicação de
relatos críticos sobre essas atividades. O website
www.forumpermanente.org é uma interface cultural e, portanto, se
constitui, de forma híbrida e simultânea, como uma ágora, um
museu-laboratório, uma revista, um arquivo vivo. Desenvolve e hospeda
projetos de pesquisa, debates e dossiers, bem como proporciona registros
textuais e em vídeo de todas as atividades empreendidas pelo Fórum
Permanente e seus parceiros no campo da arte e da cultura. O conteúdo do
site é publicado sob uma licença livre, permitindo a sua reprodução
para fins não comerciais.
O Fórum Permanente fomenta, portanto, o
compartilhamento de idéias, experiências, conhecimentos que se
relacionam ao universo dos museus, instituições culturais e o sistema da
arte hoje em dia. Para tanto opera em rede conectando diferentes atores
envolvidos nestes processos através de uma mediação cultural crítica.
O que fazemos é coordenar e mediar encontros com o firme propósito de
motivar o debate, o diálogo e o intercâmbio entre diferentes atores do
sistema de arte local e global, desejando assim ampliar as práticas, o
pensamento e também a crítica cultural. Esta estratégia visa também
tornar o conhecimento e as informações produzidas neste empreendimento
transparentes e disponíveis para o público. É por isso que nos
associamos, desde o início, em 2003, com o Creative Commons, licença de direitos autorais.
Mediação cultural crítica é
desenvolvida pelo Fórum Permanente por meio de um modelo bastante
incomum, certamente inovador, uma mescla ou uma versão híbrida de ágora,
museu, arquivo, base de dados e centro de memória / referência.
Denominamos esta nova condição institucional como
"floating.org":
uma organização híbrida, flutuante, inter-dependente, que se apropria
de algumas características de instituições "reais", bem como de
"virtuais", e estratégias de ação de diferentes atores do sistema de
arte, sejam eles artistas, curadores, o público e outros produtores
socio-culturais. Mediação cultural crítica, uma vez que enfrenta também,
objetivamente, processos "transnacionais" em condições de igualdade, ou
pelo menos está disposto a faze-lo. Entendemos que estamos
desenvolvendo uma interface de referencia crítica e contextual em um
mundo que é ao mesmo tempo local e globalmente conectado.
O sucesso desta plataforma se deve
principalmente a um modelo de parceria bastante produtiva, que desde o
início se associou a agências estrangeiras culturais, como o Goethe
Institut (que na verdade tem dado todo o suporte necessário para iniciar
e manter este empreendimento), AECID-Agência Espanhola de Cooperação
para o Desenvolvimento, o British Council, os Consulados Frances e
Holandes em São Paulo. Além destas associações, o Fórum Permanente conta
também com o apoio institucional da USP- Universidade de São Paulo, em
particular da ECA-Escola de Comunicações e Artes e do CCE-Centro de
Computação Eletrônica. O site inicial foi desenvolvido no ambiente da
Incubadora Virtual de Conteúdos de Qualidade da FAPESP (2004-2008) e
conta ocasionalmente com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de
São Paulo. As principais instituições de arte em São Paulo, como a
Bienal de São Paulo, a Pinacoteca, o Museu de Arte Moderna de São Paulo,
o Centro Cultural São Paulo, o Paço das Artes, o Museu Afro-Brasileiro,
o Museu de Arte Contemporânea-USP, integram a rede, por meio de ações
em parceria. Outras organizações relacionadas com o mercado de arte,
tais como a Feira de Arte SParte e algumas galerias de arte também. O
Fórum Permanente é um resultado direto de projeto de pesquisa acadêmico
desenvolvido na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São
Paulo.
Desde 2003 um pequeno grupo,
muito ativo, de profissionais das artes, que conforma a equipe do Fórum
Permanente, conseguiu criar, desenvolver e aprimorar uma
interface/plataforma capaz de trazer para o mesmo campo de debate,
versões contraditórias/ contrastantes/redundantes do que um museu de
arte ou instituição cultural, relacionada a produção de arte
contemporânea, pode ser em uma situação "periférica" (a cultura
eurocêntrica) como a que encontramos no Brasil. Isto não é tudo, já que
esta mesma equipe têm sido capaz de desenvolver programas específicos
que analisam os diferentes contextos da arte contemporânea, como por
exemplo as tendências da arte pública na atualidade e como as
instituições estão reagindo a estas manifestações na esfera pública.
Nesta dimensão investigativa da plataforma uma pesquisa pioneira, sobre a
economia das exposições nas instituições de arte contemporânea no
Brasil, foi realizada em todo o território brasileiro em 2010/2011. Este
estudo, realizado em parceria com o Ministério da Cultura e a Fundação
Iberê Camargo, pretende contribuir na elaboração de políticas públicas
adequadas para o setor bem como constituir-se como uma ferramenta de
trabalho para as próprias instituições em suas estratégias de gestão e
desenvolvimento. A pesquisa mapeou as instituições que promovem ações no
campo da arte contemporânea, nas diferentes regiões do Brasil. Mais de
70 instituições foram contatadas para responder a uma enquete realizada
pela equipe de pesquisadores associada ao Fórum Permanente, fornecendo
informações que agora constituem um banco de dados sobre as instituições
mais atuantes no campo da arte contemporânea no Brasil
Outra questão de interesse sendo
tratada sistematicamente pelo Fórum Permanente é a curadoria e outras
formas de mediação crítica em arte contemporânea. Há uma série de
workshops e eventos já coordenados e produzidos pelo Fórum Permanente,
cujo foco são estas formas de atuação em arte e cultura. Estas
atividades sempre contaram com a participação de peritos locais e
estrangeiros. Um resultado significativo desta empreitada foi o encontro
internacional sobre curadoria, organizado pelo Fórum Permanente no
Centro Cultural São Paulo em setembro de 2010 e o ciclo de oficinas Curadoria e Contexto
idealizado e organizado em parceria com o Centro Cultural da Espanha em
São Paulo em 2011. Outro investimento foi na cobertura de importantes
reuniões internacionais no domínio dos museus de arte e arte
contemporânea.
Começamos a produzir coberturas críticas de importantes
eventos nesta esfera, com a reunião CIMAM-ICOM aqui em São Paulo em
2005. Na sequencia destacamos os seminários da 27 Bienal de São Paulo,
(2006), a cobertura expandida da Documenta 12 (2004-2007) de Kassel na
Alemanha, a da Feira de Arte ARCO 2008 em Madrid onde o Brasil foi o
país homenageado, a exposição internacional de Sonsbeek 2008, em Arnhem,
Holanda; e mais recentemente a Conferência Museu Agora, no New Museum
de Nova Iorque em março 2011.
Em eventos promovidos pelo Fórum
Permanente com os seus parceiros desde outubro de 2003, o "especialista
estrangeiro" é convidado para um diálogo, para um intercâmbio, vis-à-vis com um especialista "local" visando com isto a contextualização dos debates. Além
do registro em video de todas essas reuniões -boa parte transmitidas ao
vivo pela internet, o Fórum Permanente também convida jovens escritores
de arte (críticos, historiadores, jornalistas, artistas, etc) para
acompanhar estes eventos e assim para escrever relatos críticos de cada
um desses encontros, que podem ser, por um lado , simples palestras,
como também eventos sofisticados, de grande porte, como "simpósios
internacionais" (idealizamos e organizamos dois deles em parceria com o
Paço das Artes: Padrões aos Pedaços: Pensamento Contemporâneo na Arte (2005) e Espaço , Aceleração e Amnésia: Arte e Pensamento na Contemporaneidade
(2007). O Fórum também tem feito coberturas críticas de importantes
eventos em museologia, como os 3 primeiros Encontros Paulista de Museus
(2009/2010/2011) e o 2º Encontro Baiano de Museus (2010).
O Fórum Permanente concentra suas
atividades em São Paulo, mas já apoiou eventos em outras cidades, como
Recife, Salvador, Madri e Arnhem, buscando descentralizar-se. Envolve em
suas atividades diferentes articuladores da arte contemporânea no
Brasil e do cenário internacional. Tendo realizado até aqui mais de 130
eventos presenciais cujos registros e relatos se encontram disponíveis
em seu arquivo, produz em média quinze eventos anuais, que vão de
palestras e workshops a encontros e seminários. O site hoje é uma
referência não só nacional como internacionalmente. Com um mailing
dirigido de quase 30 mil emails, com seus 4.700 mega bits de tamanho,
2.170 páginas, 1.820 imagens, o site é acessado em média por 320
visitantes diários que folheiam 875 páginas, usuários estes provenientes
de 337 cidades no Brasil e de 1.240 cidades no mundo (dados referentes a
2010). A abrangência internacional inclui países como Argentina, Chile,
Colômbia, Equador, Guatemala, Cuba, México, Angola, Moçambique, Coreia,
Tailândia, Filipinas, Índia, Austrália, Suécia, Noruega, Inglaterra,
Irlanda e outros países da Europa Continental, bem como os Estados
Unidos e o Canadá. Há dados curiosos como o fato de Berlim ser a 9ª
cidade, Lisboa a 11ª, Madrid a 17ª e Bogotá a 22ª no ranking das cidades
que mais acessam o site.
Com a longevidade e a consistência
alcançadas, há hoje a possibilidade de lançarmos novos desafios para o
Fórum Permanente. Um deles, há muito acalentado, é o da organização de
publicações pautadas no rico e diversificado acervo discursivo do Fórum
Permanente.
Imaginávamos edições tipográficas que pudessem promover, de
forma concentrada, o enquadramento conceitual e de crítica cultural
desenvolvido pelo Fórum Permanente em seu site em formato hipertextual.
Com o lançamento do Programa Brasil Arte Contemporânea em 2010,
fruto da parceria entre o Ministério da Cultura e a Fundação Bienal,
surgiu a oportunidade de investirmos neste projeto ao tomar parte do
edital “Publicações em língua estrangeira de Arte Contemporânea”.
Apresentamos três propostas, todas premiadas, com o firme propósito de
lançarmos a Coleção Fórum Permanente de Livros. Museu Arte Hoje, Relatos Críticos 1: Seminários da 27ª Bienal de São Paulo, e Modos de Representação da Bienal de São Paulo indicam
os caminhos desta linha editorial, não só pelos formatos apresentados
mas pelos temas em evidência. A coleção assim se apresenta por meio de
organização de coletâneas de acordo com as temáticas em debate, edições
dos relatos críticos produzidos para os eventos registrados no site e
livros que problematizem a institucionalização da arte, local e
globalmente.
Os dois anos inicialmente pensados para
a duração do projeto lançado em 2003 se multiplicaram. O Fórum
Permanente completa em outubro de 2011 oito anos de vida. A rede Fórum
Permanente é hoje formada por uma multidão, não só de indivíduos
atuantes na esfera da arte e cultura, instituições culturais e de
formação, como também um público expandido, de difícil qualificação, uma
complexidade.
Setembro 2011
Fórum Permanente: museus de arte; entre o público e o privado
Apesar do grande sucesso alcançado pela
arte brasileira no âmbito nacional e internacional, o seu contexto
institucional continua sujeito a grandes flutuações e instabilidades.
Importantes museus de arte no país e a própria Fundação Bienal de São
Paulo sofrem com as freqüentes crises financeiras e políticas. No
entanto assistimos, recentemente, significativas transformações e
intervenções nessa frágil, mas extremamente fértil, paisagem cultural
como, por exemplo: a ampliação e renovação dos equipamentos culturais,
em grande parte facilitada e financiada pelas Leis de Incentivo à
Cultura e por outros fundos públicos e privados; a criação e o
fortalecimento de instituições privadas de representação oficial da
cultura, tanto no âmbito nacional como no internacional; o surgimento e
crescimento de instituições culturais atreladas a grandes coorporações
financeiras; a existência de tentativas e casos esparsos que buscam
atualizar e renovar a linguagem arquitetônica e simbólica relacionada a
aparelhos culturais em nossos tempos, como museus, centros ou institutos
culturais.
Os parâmetros dessa "indústria da cultura" brasileira
em transformação e real crescimento, são complexos, oscilantes e
vulneráveis. Vivenciamos um momento de transição, sujeito não só às
idiossincrasias das antigas estruturas instituicionais, como também às
exigências e desafios de uma situação contemporânea que demanda a
internacionalização e profissionalização das atuações culturais. Apesar
da melhoria e ampliação dos recursos voltados à formação e à atualização
profissional, esses ainda não respondem satisfatoriamente às
especificidades e às demandas dessa "indústria". Um mercado editorial em
fase de consolidação e o pouco espaço reservado à cobertura
especializada na mídia impressa não são suficientes na geração e
manutenção de debates críticos e mobilizadores. Muitos assuntos merecem
atenção, entre eles destacam-se os problemas que afetam os agentes, os
processos e os meios do sistema de arte nacional, principalmente os
relacionados à questão dos museus de arte, espécie de
"condutores-chaves" de uma cultura pautada na representatividade e
perenidade de suas ações e de suas roduções criativas.
O FórumO
Fórum Permanente: Museus de Arte; entre o público e o privado
propõe-se, nesse contexto mutante e flutuante propenso mais para o
desarranjo do que para a consolidação de políticas e programas culturais
capazes de gerar resultados a médio e longo prazo, a promover a
interação dos vários interesses e atuações positivas e transformadoras
associados a esse sistema. Tendo como pano de fundo não só o contexto
territorial brasileiro, mas também o internacional, a sua intenção
prioritária é a de se tornar uma dimensão compartilhada para
instituições culturais, seus dirigentes, corpo técnico e demais sujeitos
que direta ou indiretamente, conformam esse campo cultural. Como uma
plataforma para a discussão crítica e também uma espécie de museu
virtual, o Fórum pretende, portanto, gerar reflexões e ações em torno
do papel do Museu de Arte em tempos de espetacularização e virtualização
da cultura. Este é o objetivo-chave, mas há, no entanto, um objetivo
subliminar e formativo: o de contribuir, de forma significativa e
mobilizadora, para o amadurecimento do contexto político-cultural das
artes visuais em nosso país, por meio do incentivo de intercâmbios
culturais, dentro e fora de suas fronteiras nacionais.
O Fórum
Permanente estrutura-se na interação entre eventos presenciais
(palestras, debates, seminários e workshops) e seus desdobramentos na
esfera virtual, utilizando para tanto espaços culturais da cidade de São
Paulo e um site especialmente planejado para esse fim
www.forumpermanente.org.
O Fórum Permanente terá inicialmente um período de vigência de dois
anos. Seu desdobramento futuro será fruto do debate e da construção do
próprio fórum. Sua programação será marcada por eventos regulares
encabeçados por convidados especiais.
Além disso, o Fórum Permanente pretende
também tomar partido da presença de diretores, curadores, pensadores e
artistas nacionais e internacionais que São Paulo recebe constantemente.
Esses especialistas, ocasionalmente, serão convidados a apresentar suas
idéias e experiências em relação a função e situação do Museu de Arte
hoje. Todos os eventos serão monitorados e registrados pela organização
do Fórum Permanente. O material coletado e editado alimentará o site na
Internet desenvolvido especialmente para esse fim. O site, além de
documentar sistematicamente os eventos que constituem a programação
cultural do Fórum Permanente, é também uma plataforma de discussão
continuada. Em 2006, esse ciclo de palestras, workshops, seminários e
encontros será encerrado com um Colóquio Internacional em São Paulo,
quando estarão presentes seus principais interlocutores e quando as
metas visando a continuidade de seu programa serão consolidadas.
Os temasOs
temas a serem debatidos estão diretamente relacionados ao papel e a
ação do museu de arte na contemporaneidade. Entre eles merecem destaque:
a. Limites, territórios, interações entre as esferas públicas e privadas da cultura;
b. O museu público hoje;
c. O papel da iniciativa privada na modelação da paisagem cultural
contemporânea;
d. O papel da arte contemporânea na atualização das políticas e ações museológicas;
e. O papel do público no museu contemporâneo
f. Políticas culturais voltadas a museus de arte e congêneres;
g. Ação educativa e cultural em museus;
h. O museu e sua condição interdisciplinar;
i. O museu de arte em um sistema nacional de museus;
j. Museus das "capitais" versus museus do "interior";
k. Museu e eventos "espetaculares" da cultura (entre eles a Bienal de São Paulo);
l. Museus de arte em rede: integração, correspondências, intercâmbios;
m. O museu entre a cultura material e a cultura na virtualidade das
novas mídias;
n. O museu de arte no século XXI
o. O museu e a cidade
p. Arquitetura de museus, entre outros;
Primeiras atividades (fase experimental: outubro a dezembro de 2003)O
Fórum Permanente iniciou sua programação de forma experimental em
outubro de 2003 com a presença de seu primeiro convidado, o Dr. Ulrich
Krempel, diretor do Sprengel Museum de Hannover, Alemanha. Sua vinda
coincidiu com a visita à São Paulo do diretor da Tate Gallery de
Londres, Inglaterra, Sir Nicholas Serrota. Nessa ocasião foi possível
organizar três eventos centrados na questão do Museu de Arte na
contemporaneidade. O primeiro deles foi uma mesa-redonda O Museu do
Século XXI, no pavilhão da OCA no Parque Ibirapuera, como atividade
paralela à exposição de acervo da Tate Gallery de Londres, A Bigger
Splash: Arte Britânica da Tate, 1960 - 2003 . A mesa contou com a
participação do diretor da Tate Gallery, Nicholas Serrota, do diretor do
Sprengel Museum Hannover, Ulrich Krempel, do diretor do Museu de Arte
Moderna Aloísio Magalhães do Recife, Moacir dos Anjos, e de Martin
Grossmann, mediador. Serrota apresentou ao público as principais
conquistas da política cultural que vem captaneando desde finais da
década de 80, responsável, entre outros, pela expansão física do museu.
www.tate.org.ukEm
uma primeira fase, ainda na década de 80, foram construídas duas
filiais em solo Britânico mas distantes da capital: em St. Ives e
Liverpool. No entanto, o que mais atraiu a atenção da imprensa e da
comunidade cultural em todo o mundo foi a monumental reforma do prédio
que abrigava a antiga usina de energia do Bankside de Londres, às
margens do rio Tâmisa, aberta ao público em maio de 2000: a Tate Modern.
De forma paradoxal porém, Serrota argumentou que o modelo Tate de
espetacularização da cultura, que compete lado-a-lado com o polêmico
programa de franquia cultural-comercial do Guggenheim, não deve ser
super-valorizado. Um antídoto para essa tendência, ele sugere, seria a
relativização e regionalização de políticas museológicas. Essa colocação
veio ao encontro da fala de Moacir dos Anjos que procurou mostrar como
políticas culturais voltadas a grandes eventos e exposições de arte, que
dominam o cenário cultural nacional e internacional nos últimos anos,
prejudicam o processo de consolidação de museus regionais, como é o caso
do MAMAM do Recife
www.mamam.art.br.
Por sua vez, Krempel também enfatizou a importância e o papel que
museus de arte de médio e pequeno porte possuem na conformação de um
contexto cultural em localidades que não integram o circuito cultural e
turístico Europeu, nesse caso, Hannover, que é uma cidade de médio porte
no Norte da Alemanha. O Sprengel Museum Hannover é um caso exemplar
nesse sentido
www.sprengel-museum.de.
Esse museu possui um acervo representativo de arte moderna e
contemporânea européia e norte-americana e desenvolve atividades
voltadas, em boa parte, para a comunidade local e circunvizinha, o que o
torna um espaço de referência nessa região.
As outras duas
atividades em outubro de 2003 foram comandadas por Ulrich Krempel
seguindo o formato sugerido pela coordenação do Fórum Permanente: uma
palestra e um workshop. A palestra proferida no Instituto Goethe de São
Paulo no dia 15 de outubro intitulada "Constituição de Acervo Como Ato
Político" enfocou a "saga" da coleção de arte moderna do casal Sprengel,
que em 1969 foi doada à cidade de Hannover, motivando a construção do
museu inagurado em 1979. Em plena entre-guerras na Alemanha e em meio a
uma situação totalmente adversa à arte moderna, o casal Sprengel inicia
sua coleção adquirindo obras de artistas ligados principalmente ao
expressionismo alemão. Krempel explorou a importância desse ato não só
para a instituição do museu como também no desenvolvimento e atualização
de suas políticas culturais. Marcelo Araújo, diretor da Pinacoteca do
Estado, convidado a atuar como debatedor, ressaltou a singularidade
dessa "saga" e sua importância histórica. O workshop, por sua vez,
ocorrido na Pinacoteca do Estado, possibilitou aos inscritos o acesso a
informações detalhadas sobre o funcionamento do museu, sua
infra-estrutura e ações culturais. Motivados pela generosidade e
informalidade do convidado, o público - formado principalmente por
profissionais ligados a instituições cullturais — sentiu-se bastante à
vontade para indagar sobre vários aspectos do dia-a-dia de um museu.
Essa convivência se mostrou bastante proveitosa e deverá ser explorada
em futuras edições do Fórum.
Martin GrossmannSão Paulo, 04 de junho de 2004