quinta-feira, 14 de junho de 2012

Giovanni Girolamo Kapsberger Works for Lute & Chitarrone,Romano

 
Publicado em 10/06/2012 por

O som do alaúde
qual seda acariciante
- ao bom meditar.
 Johann (es) Hieronymus Kapsberger
  (também: Giovanni Girolamo ou Giovanni Geronimo Kapsperger), 
(c. 1580 - 17 Janeiro 1651) foi um alemão - italiano virtuoso i
ntérprete e compositor do período inícial do barroco

 Um compositor prolífico e altamente original, Kapsberger hoje é lembrado principalmente por seu alaúde , teorba e chitarrone música, que foi seminal no desenvolvimento destes como instrumentos solistas. 

Vida

Nada se sabe sobre a data Kapsberger e local de nascimento. Seu pai era coronel Guglielmo Kapsperger um oficial militar da Casa Imperial da Áustria, e pode se instalaram em Veneza , a cidade que pode ter sido berço de Kapsberger. Depois de 1605 Kapsberger mudou-se para Roma , onde ele atingiu rapidamente uma reputação de um virtuoso brilhante.

Ele cultivou conexões 
com vários indivíduos e organizações poderosas,
 e se organizou "academias" em sua casa, 
que foram contados entre os 
 "maravilhas de Roma".  
Cerca de 1609 casou Kapsberger Gerolima di Rossi, com quem teve pelo menos três filhos. Ele começou a publicar sua música em torno do mesmo tempo, com mais de uma dúzia de coletâneas de música que aparece durante os próximos dez anos. Entre eles, o célebre Libro I d'intavolatura di lauto (1611), coleção única sobrevivente Kapsberger de música para alaúde. [1]
 
Em 1624 Kapsperger entrou ao serviço do cardeal Francesco Barberini , onde trabalhou com vários compositores importantes como Girolamo Frescobaldi e Stefano Landi ) e poetas (que incluía Giulio Rospigliosi, o futuro papa Clemente IX ). Kapsberger trabalhou na casa de Francesco, até 1646. Ele morreu em 1651. [1]

Obras

Página de título de Libro Kapsberger do primo d'intavolatura di lauto, a coleção única sobrevivente de suas obras para alaúde
 
Kapsberger é melhor lembrado como um compositor para alaúde e chitarrone . Pelo menos seis coleções foram publicados durante sua vida, duas das quais estão actualmente a perder. Escrita Kapsberger é caracterizada, principalmente em tocatas , por mudanças espontâneas, contrastes nítidos e incomuns agrupamentos rítmicos e, por vezes, passagens que não se conformam com as regras do contraponto que estavam em uso no momento. [1]

 A grande maioria dos críticos contemporâneos elogiou habilidade de composição Kapsberger e inovações. Entre eles estava Athanasius Kircher , que descreveu Kapsberger como um "gênio soberba" e atestou que ele "conseguiu penetrar os segredos da música". [2] Uma notável exceção foi o crítico Giovanni Battista Doni , que era inicialmente de apoio do compositor, mas então se voltou contra ele por razões pouco claras e criticou a sua música em versão impressa. [3]

Além disso, tocatas Kapsberger pode ter influenciado as de Girolamo Frescobaldi , [4] bem como a música de alaúde francês seria, alguns anos mais tarde, influenciar Johann Jakob Froberger 's suites .
 
Alguns contemporâneos, como Stefano Landi , mencionou que Kapsberger não era como um compositor meticuloso como ele era como um performer. [3] Os recursos listados acima levou alguns estudiosos modernos partilham desta opinião e eles tendem a acreditar que Kapsberger foi um compositor de capacidade inferior. Proeminente entre esses críticos é alaudista Rolf Lislevand: em suas palavras, "Kapsberger foi tão ruim como um compositor ele era um instrumentista muito bem [...]

As idéias 
são muitas vezes mal desenvolvido,
e são livremente associados uns com os outros, 
sem discurso verdadeiro musical é construída [...] 
a. ritmo, mesmo depois de esforços sérios de entendimento 
de it-oscila entre a inteligência inspirado e confusão total " [5] 

No entanto, independentemente de como se encara a sua proeza de composição, Kapsberger foi um dos compositores principais do alaúde e teorba música durante o início da era barroca (juntamente com Alessandro Piccinini ) e muito contribuiu para o avanço europeus instrumentos de cordas dedilhadas do tempo. [1]
 
Outra música Kapsberger inclui dois conjuntos de danças ensemble instrumental, raras para o período, e uma riqueza da música vocal, o que foi amplamente realizados durante sua vida, mas que agora é criticamente aclamada menos. Kapsberger também escreveu música estágio, quase todos atualmente perdida. O trabalho único sobrevivente deste tipo é Apoteose sive Consecratio SS Ignatii et Francisci Xaverii (1622). [1]

  Algumas das suas obras

  • Libro Primo de Madrigali (1609), madrigais para cinco vozes e baixo contínuo
  • Poematia et Carmina [...] Eu Liber (1624), 10 configurações de versos de Papa Urbano VIII , para voz e baixo contínuo
  • Coro musicale (1627), músicas de casamento para voz e baixo contínuo

 Apoteose sive Consecratio SS Ignatii et Francisci Xaverii (1622)

  • Cantata Maggio nel real Palazzo Pitti de (1612), secular cantata
  • Libro Secundo d'intavolatura di chitarrone (1616)
  • Libro Secundo d'intavolatura di lauto (1619)
  • Epitalamio [...] recitativo um piu voci (1628), a música secular vocal
  • Libro Terzo d'arie passeggiate (1630)
  • Poematia et Carmina [...] Liber II (1633), as configurações de versos pelo Papa Urbano VIII
  • La Vittoria del Vladislao principe em Valacchia (1625), ópera
  • Fetonte (1630), dramma recitato
Além disso, um tratado de composição por Kapsberger, Il Kapsperger della musica, foi anunciado em 1640, no prefácio de Libro Quarto D'intavolatura di chitarrone, mas agora está perdido.

 
http://en.wikipedia.org/wiki/Johannes_Hieronymus_Kapsberger
 Licença padrão do YouTube 
 

MARIO SCHENBERG, CRÍTICO DE ARTE


Atuação de um dos principais físicos brasileiros como crítico de arte é tema de pesquisa realizada na USP (Centro Mario Schenberg de Documentação da Pesquisa em Artes–ECA/USP)
Especiais

Mario Schenberg, crítico de arte

14/06/2012
Por Fábio de Castro

– Considerado um dos físicos teóricos mais importantes do Brasil, graças à relevância e ao pioneirismo de sua obra científica, Mario Schenberg (1914-1990) foi também um respeitado crítico de arte.
Um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) enfocou essa segunda faceta da personalidade de Schenberg, revelando as condições que o levaram a exercer duas atividades aparentemente díspares, conciliando pensamento científico e estético.

O estudo, que correspondeu ao mestrado de Alecsandra Matias de Oliveira, realizado com Bolsa da FAPESP e defendido em 2003 na Escola de Comunicações e Artes (ECA), foi a base para o livro Schenberg: crítica e criação, publicado recentemente pela Edusp.

Formada em História pela USP, Oliveira começou a estudar a obra de Schenberg durante sua iniciação científica, também com Bolsa da FAPESP, no Centro Mario Schenberg, da ECA-USP, coordenado por Elza Maria Ajzenberg. Depois do mestrado, com orientação de Ajzenberg, Oliveira cursou doutorado em História da Arte no Museu de Arte Contemporânea da USP, onde atua atualmente no setor de Projetos Especiais.

Segundo Oliveira, a pesquisa utilizou um método analítico, além do exercício comparativo entre dados históricos gerais e fontes primárias e secundárias.
O ponto de partida do estudo foi a tentativa de compreender quais foram as condições que levaram um físico reconhecido internacionalmente a se interessar por questões estéticas a ponto de desenvolver uma atividade paralela na crítica de arte.

“A principal característica de Schenberg como crítico é que ele não se prendia a regras. Era essencialmente intuitivo. Tinha uma ligação profunda com muitos artistas e se interessava profundamente pelo papel do criador. Não era um crítico como os outros, que tinham um espaço fixo em colunas jornalísticas. Era um crítico de catálogo. Os artistas o procuravam para escrever sobre as obras”, disse Oliveira à Agência FAPESP.

Schenberg tinha uma personalidade rica e complexa, sujeita a diversos desdobramentos. Além da física e da crítica de arte, atuou na política, elegendo-se deputado estadual duas vezes em São Paulo. Marxista, foi cassado durante a ditadura de 1964 por suas ligações com o partido comunista.

 O zen-budismo 
também teve um papel importante 
em seu pensamento.
“Ele era um cidadão múltiplo, que tinha uma maneira de pensar abrangente e agregadora. O universalismo dessas várias facetas se reflete em sua crítica de arte. Ele não fazia uma separação entre ciência, arte, política e religião. Em sua visão, esses eram aspectos inseparáveis da vida”, disse.
O trabalho de Schenberg como crítico de arte, segundo Oliveira, intensificou-se a partir de 1964, quando foi afastado da universidade pelo regime militar. “Sem possibilidade de acesso físico ao campus da USP, ele passou a atuar firmemente na crítica de arte”, contou.

Se entre os físicos Schenberg trabalhou com nomes mundialmente reconhecidos, como José Leite Lopes, César Lattes e Gleb Wataghin, no campo artístico teve relações estreitas com Di Cavalcanti, Lasar Segall, Cândido Portinari, Marc Chagall e Pablo Picasso. Escreveu artigos de crítica sobre artistas como Alfredo Volpi, Hélio Oiticica e Lígia Clark.

“A comunidade artística tinha uma relação muito profunda com ele. Além de conviver com alguns dos artistas mais interessantes da época, Schenberg apoiou a carreira de diversos jovens artistas que hoje são consagrados. Por duas vezes foi convidado pelos artistas para compor o júri da Bienal de São Paulo”, disse Oliveira.

Um dos aspectos originais da atividade de Schenberg como crítico de arte, desvendado pela pesquisa, era o uso da fotografia como recurso. “Ele praticamente só trabalhou com fotos. Fotografava as telas ou esculturas e elaborava seu texto crítico a partir das imagens”, disse. 

Pablo Picasso

Li
 Fonte:Agência FAPESP
 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

LEONARDO DA VINCI : MADONAS AO SOM DE BACH - 05:44

Enviado por em 09/01/2011
 
Exposição das pinturas de Leonardo da Vinci,
 detalhes da Última Ceia e Monalisa
Música: Orchestral Suit nº3 in D Major: Air - Bach
 
 A Virgem de Granada
 
 
  
A Virgem ,O Menino e Sant'Anna e São João Batista
Carvão e giz s.papel- Londres
 
Louvre
 

 Fontes:
Enviado por em 09/01/2011

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A FUNÇÃO DO NOME PRÓPRIO E DA LETRA NA OBRA DE VAN GOGH - Sandra Dias



A FUNÇÃO DO NOME PRÓPRIO E DA LETRA NA OBRA DE VAN GOGH
            .                       Sandra Dias*

Psicanalista, 
coordenadora do curso Pós-graduação
“Psicanálise e Linguagem: uma outra psicopatologia PUCSP,
 membro fundador “Gesta: Instituto de Pesquisa, 
Ensino e Ação em Saúde Mental,
autora de “Paixões do Ser : pulsão e objeto na psicose”


Van Gogh nasceu no mesmo dia e mês, um ano depois do primogênito do pastor Theodorus e de Ana. No seu registro de nascimento na paróquia do pai, tem o número 29, o mesmo do irmão, falecido com 6 meses, lapso que aponta seu lugar no desejo do Outro: um objeto por outro (VAN GOGH, 2002,422). 

Se “nomear, dizer é um ato” ( LACAN, 1974-75, lição 18/3/1975), o batismo é o ato  pelo qual  se indica a entrada do sujeito no mundo pela atribuição de um nome, nome que fixa sua referencia ao ser. O genial artista recebe o mesmo nome do irmão morto - Vincent Willen Van Gogh.

 Dar um nome à alguém 
implica numa descrição exitosa,
pois o objeto passou a ter um nome.
 Mas a descrição associada ao batismo pode ser falsa, por isso o Nome próprio não é a a abreviatura, o acumulo de descrições mais ou menos verdadeiras do objeto, mas sim é algo da ordem da nominação. Ter um nome indica também uma classe, mas esta função classificatória esta ligada ao tabu que acompanha o nome :  não dar nome do morto a outro (interdição cultural) e não pronunciar o nome do morto (interdição pela homofonia). Em Totem e Tabu, Freud indica que no tabu, o primitivo toma nome próprio como metonímia do sujeito. 

            Lacan aborda o Nome próprio ligado ao tema da identificação mais especificamente em relação à estrutura do traço unário, fundamentalmente lacunar e vazio. Ele indica que o Nome Próprio pode ser tomado como ponto de estofo, um significante em estado puro. “Um nome próprio é algo que vale pela função distintiva de seu material sonoro” (LACAN, 1961-62, lição 10/01/62, pág. 95). A característica do nome próprio está em relação a esse traço de ligação com a escrita, pelo qual conserva sua estrutura sonora de uma língua a outra” (LACAN, 1961-62, lição 20/12/61, pág. 94)

A lógica do nome próprio indica que ele é uma espécie de traço unário, na medida em que se situa como marca distintiva, sonora  e não se traduz . O traço unário se reduz ao traço sem qualidades, quanto mais ele é apagado mais funciona como suporte de diferença. O nome próprio como traço distintivo é “que permite situar uma função do sujeito na linguagem, aquela de nomear por seu próprio nome” (LACAN, 1961-62, lição 20/12/61, pág. 94), sendo da função da escrita, função de signo, enquanto ele mesmo se lê como um objeto.

Se o traço surge do apagamento do objeto, o nome próprio como significante puro surge como algo que esta ali para ser lido, lido como linguagem quando ainda não há escrita. O nome próprio é traço, que esta lá na origem, antes que o sujeito se identifique numa nominação, “é essa marca aberta a leitura (... ) e aí esta imprimido algo, talvez um sujeito que vai falar” (LACAN, 1961-62, lição 20/12/61, pág. 94). No seminário XII, Lacan retoma a questão do Nome próprio a partir da definição de Kripke. Nomear não é atribuir características, metáforas, descrições a algo; nomear é ser capaz de designar rigidamente algo. Ou seja, é possível nomear alguém ainda que tenha perdido todas as características, todas identificações associadas a ele. 

Assim nomear é uma coisa, descrever é otra. Van Gogh foi nomeado com Vincent Willen. É também o  nome de dois avos e do irmão morto.  Qual a descrição de Van Gogh ? Filho de Theo, Neto de Theo, irmão de Theo, sobrinho de Vincent, tio de Vincent, neto de Vincent, neto de Willen, amigo de Gaguin, o holandês, o ruivo, o louco, o evangelista, o pintor. Tudo isto poderia ser falso e ainda Vincent ser Vincent.

“Dizer que um nome próprio é sem significação, é alguma coisa de grosseiramente errada”  diz Lacan (1964-65, lição 06/01/65, pág 65). O “nome próprio é uma função volante,( ...), ele é feito para ir preencher os buracos  para lhe dar sua obturação, para lhe dar seu fechamento, para lhe dar falsa aparência de sutura (LACAN, 1964-65, lição 06//01/65, pg. 74) . O Nome próprio é um buraco destinado a preencher outro buraco.Se “Vincent é o nome do que se chama Vincent” isso constitui  “uma outra sutura, um ponto de amarração (LACAN, 1964-65, lição 16/12/64, pág. 55) 

O nome próprio como significante puro, surgindo no lugar do apagamento do objeto, inscreve no real do ser falante a diferença como tal. Se o traço apaga a Coisa (das Ding) e deixa rastros desse apagamento, esses rastros são rastros de gozo o que tem implicações clínicas, pois há que se considerar os diversos apagamentos, o que Lacan chama modos de manifestação capitais do sujeito. 

O nome próprio é tanto da ordem da fonação como da ordem da letra, para funcionar como nome que diferencia o sujeito, isto para que funcione como significante nome-próprio é preciso uma passagem, que a letra seja retomada e transmitida pelo significante na fala, com seus efeitos de voz.  A função do nome transmitida pelos efeitos de fonação se diferencia da transmitida pela escrita que está relacionada à função do pai, que abre uma via de acesso do sujeito a uma identificação simbólica. O Nome-do-Pai, como instaurador da Lei simbólica, sustenta a função de nomeação  porque mais do que o nome do pai é  pai que nomeia. Lacan acrescenta que”  ... enquanto o sujeito fala, (...), na enunciação ele elide algo que é propriamente falando, o que lê não pode saber, isto é o nome de que ele é enquanto sujeito da enunciação(LACAN, 1961-62, lição 10/01/62, pág. 101).

Se a constituição  do sujeito se inaugura por uma escrita , marca de antecipação do sujeito, ligada ao traço unário, é a letra que apaga a marca pela intervenção do Nome do pai que permite a dedução de que havia ali um sujeito, essa leitura é a antecipação do sujeito. O pai de Van Gogh não sustentou o lugar fálico para o filho o que teve como conseqüência sua instalação numa posição messiânica e uma suplência feita através do delírio de ser evangelizador, evangelizador-pintor , criador do Atelier do Futuro.

O tumulo do irmão ficava no jardim da paróquia onde o pai pregava e pelo menos aos domingos Van Gogh passava enfrente para ir ao culto com a família. Que efeitos essas letras impressas no túmulo evocavam nesse sujeito? Em uma carta diz que quer ter “asas para pairar acima da vida” e “asas para pairar acima do tumulo e da morte” (VAN GOGH apud CABANNE, 19855, pág. 17). Uma noite, sobre seu túmulo, dois pensamentos lhe marcam: “ Deixar-se morrer a si mesmo” e “ Quem nos libertará do cadáver dessa morte” (VAN GOGH apud BONAFOUX, 1994, pág. 09) ao qual se segue um período de fanatismo e obsessão onde  “ser pintor e dar o sangue” (VAN GOGH,2009, Carta 07/01/1882, 75). 

Quando o professor de gramática lhe pergunta se Van Gogh é nominativo ou dativo, ao qual ele responde que para ele tanto faz (VAN GOGH apud NAGERA, 1980, 47).  Na Academia de Pintura, diante da pergunta -“Quem é você?”, responde: “Sou, Vincent , o holandês” (VAN GOGH apud CABANNE, 1985, pág. 89)   Nomeia-se num discurso, por um nome, entre dezesseis Vincent que o antecederam na linhagem paterna e uma descrição que remete a pátria . 

Ele utiliza o Nome Próprio como descrição, traços que são representações, sentidos que descrevem o objeto, metáforas que tentam identificá-lo. Descrever é atribuir características enquanto nomear que implica em designar algo rigidamente, diferença que não se coloca para Van Gogh.

Eu sou Vincent o holandês, indica um locutor que sabe, que crê nos traços que possui o referente.O conceito de Kripe interessa ai porque aponta que a referencia de um nome não pode ser determinada por traços  singularizantes e por propriedades  identificantes. Crer no nome é a definição própria da loucura, afirma Lacan (1973-74, lição 21/05/1974) , uma vez que o sujeito é dividido e não tem certeza de ser representado  por um nome, mas sim no intervalo entre  os nomes. 

A certeza do nome próprio indica aquele que não duvida de uma identidade em si (entidade ideal), é um sujeito que trata o mundo como sendo sem equívocos, mundo em que o nome não vem nem recobrir como véu da fantasia a inconsistência do Outro. 

 O nome é a encarnação do próprio real, 
aqui o real aponta para a certeza do nome no sentido literal

Assim loucura 
é a crença que o sujeito tem em seu nome próprio, 
se por nome próprio se define o que encarna o buraco.
 
Vincent rejeita o patronímico na assinatura das obras (VAN GOGH, 2009, carta 24/03/1888) essa rejeição do Nome do Pai que não é sem conseqüências. A função da metáfora é afastar o Nome Próprio das funções de gozo que lhe são atribuídas, apagando sua dimensão sonora: no caso de Vincent substituir a criança morrendo, apagando o gozo que lhe é fundamentalmente atado. 

            Na psicose se vê ressurgir de modo massivo a função do Nome Próprio. No nome Vincent há algo que carrega muito sentido e somente sentido, pois ele não joga função de semblante do simbólico que consiste em irrealizar o mundo. O nome que o nomeia toma sentido agarra-o no lugar, ao invés de nomeá-lo fazendo dele um Sem nome no campo do Outro, um ninguém - posição que lhe permite escapar do horror de ser gozado.

A evocação de seu nome provoca efeito de gozo pois presa a um sentido em excesso que pode-se constatar em sua frase “não viverei muito, uns seis ou sete anos”, na data da morte marcada na soma dos ponteiros no quadro Os Comedores de batata e na cifra que registra seu nascimento 29 de julho, todas indicando 37 anos. É assim que ele se torna claramente esse objeto em agonia da morte onde o Outro goza

O nome próprio por sua ligação com a letra como traço distintivo tem valor de assinatura, marca em que pode ser lida alguma coisa a respeito da identidade do sujeito. As várias mudanças do nome na assinatura até considerá-la desnecessária permitem elucidar a função do Nome próprio na psicose em sua relação com a letra. Cada ato de assinatura do nome coloca em cena seu estatuto de cifra , cifra da relação do sujeito com o Outro. Se a assinatura propõe-se como uma cifra, sua leitura não tem, então, nada a ver com a significação, mas com a letra, no sentido lacaniano do termo, apresentando-se, desse modo, para uma leitura como deciframento (ALLOUCH, 1995, pág. 109-110)

            Van Gogh assina algumas telas e em sua maioria deixa sem assinatura. As obras assinadas na infância trazem o nome com o patronímico enquanto que as posteriores só o nome Vincent. Na véspera do Natal, após discussão com Gauguin, segue-o na rua com uma navalha aberta pronta para atacar. Ao ser surpreendido, retorna à casa amarela e corta a orelha na linha da cabeça. Limpa-a, coloca-a num envelope e a deixa para ser entregue à prostituta que dias antes respondera brincando a seu convite para posar como modelo: mais vale suas orelhas. Aí algo se impõe a Van Gogh, um sentido, ele é gozado. A mensagem não retorna invertida do Outro, ele não se reconhece no enunciado, pois a nomeação não pode ser autenticada porque uma letra porta excesso de sentido. 

Após esse episódio de auto-mutilação sua assinatura se altera. Antes assina suas pinturas com o nome Vincent onde o V inicial era escrito com um ângulo muito agudo, depois se transforma em um V arredondado desaparecendo por completo a angulosidade (NAGERA, 1980, 157), extremamente visível no quadro que representa sua cadeira vazia.          

   A assinatura é a marca do sujeito, traço inventado a partir do apagamento da coisa. A letra V é a primeira letra do Nome Vincent e sem dúvida um traço a parte, traço único que faz parte da rasura da verdade do sujeito que fala. Van Gogh em seu delírio mostra o caráter litoral da letra, ele é o próprio litoral, mostra a letra em sua face real Ele escreve na parede Eu sou o Espírito Santo. Eu sou o são Espirito 

                Na tarde de 27/07/1890 ele dá um tiro de pistola no peito, ficando em agonia de morte até dia 29, cifra marcada no seu registro de nascimento. Pintava a soturna paisagem Trigal com corvos e carregava uma carta no bolso do qual se destacam as frase: “em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão arruinou-se. ( ... ) Mas o que é que você quer?” (VAN GOGH, 2009, carta 652) 
 
Bibliografia:
ALLLOUCH, Jean. Letra a letra: Transcrever, Traduzir, Transliterar. RJ: Campo Matemico, 1995
BONAFOUX, Pascal.Van Gogh.Lisboa/Portugal: Editorial Verbo , 1994
CABANE, Pierre.Van Gogh. SP: Ed. Verbo, 1985
LACAN, Jacques. Seminário IX: A Identificação. 1961-62. Pub. interna CEF, 2003
                               Seminário XII: Os problemas cruciais da psicanálise. 1964-65 Publicação interna CEF, 2008
                               Le Séminaire Livre XXI: Les non dupes errent .1973-74. Sem.inédit
                               Le Séminaire Livre XXII: R. S. I. 1974-75. Seminaire inédit
NAGERA, Humberto  .Vincent Van Gogh: um estúdio psicológico. Barcelona:Ed. Blume, 1980
VAN GOGH,  Vincent. Cartas a Théo. Porto Alegre: L&PM, 2002
VAN GOGH, Vincent. The Letters . 2009, Cartas de Vincent  Van Gogh, disponível em  www.vggallery.com/letters/main/htm,  acesso em extraído em 30/03/2009, 1312 hs
WALTHER, I.F. e METZGER, R.      Van Gogh. Madrid: Taschen, 2001

texto apresentado no V Congresso Nacional de Psicanálise da UFC, Fortaleza, 28 A 30 maio de 2009 “A letra, o olhar e a voz”.

Pablo Picasso

Li
 Fonte:
http://www.espacopsicanalise.com.br/docs/vangogh.htm